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Presidente da Fifa durante cerimônia da final da Copa do Mundo

O presidente da FifaGianni Infantino, anunciou nesta sexta-feira (31/7) que desistiu do polêmico plano de vender participações nas principais competições da entidade, após sofrer ampla oposição.

Infantino disse que ficou claro que o projeto havia “criado divisões” e que “já não atendem ao interesse” de seu objetivo original.

O suíço acrescentou: “Como resultado, esta proposta não seguirá adiante”.

Infantino havia oferecido US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões) a cada uma das 211 associações-membro da Fifa caso elas apoiassem uma proposta de investimento privado em seus torneios, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina.

Na quinta-feira (30/7), as 55 associações-membro do futebol europeu, reunidas na Uefa, votaram a favor de um boicote às Copas do Mundo caso o plano fosse levado adiante.

O diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, afirmou que a própria administração da entidade havia sido “enganada” sobre o projeto.

Carlos Cordeiro — principal assessor de Infantino para estratégia global e governança — renunciou ao cargo, dizendo que a proposta era “um mau negócio para o futebol” e que iria “hipotecar o futuro do futebol”.

A decisão ocorreu depois que outras duas grandes confederações também se manifestaram contra o plano.

A Concacaf, entidade que administra o futebol na América do Norte, Central e no Caribe — e que sediou a Copa do Mundo deste verão — afirmou que seus membros “rejeitaram” a proposta. Fontes disseram que a grande maioria das associações da região está perdendo, ou já perdeu, a confiança em Infantino.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) afirmou estar em “solidariedade” com Uefa e Concacaf, enquanto o primeiro-ministro britânico Andy Burnham disse que Infantino era “a pessoa errada” para liderar a Fifa.

Infantino, de 56 anos, agora está sob forte pressão enquanto busca a reeleição para um quarto mandato como presidente no Congresso da Fifa, em março.

Ele afirmou que pretende agora “reunir novamente todas as partes interessadas” no “espírito de interesse comum” pelo futebol.

 

Infantino resistirá à crise?

 

Infantino assumiu a presidência da Fifa em 2016, ao derrotar o então presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Sheikh Salman al-Khalifa, por 115 votos a 88.

O próximo presidente da entidade será escolhido durante o 77º Congresso da Fifa, que será realizado no Marrocos, em março de 2026. Os candidatos têm até 18 de novembro para registrar suas candidaturas.

Até esta semana, a expectativa era de que Infantino fosse reeleito sem oposição. Associações de todo o mundo, incluindo algumas da Europa, já haviam manifestado a intenção de votar nele.

Agora, resta saber se os acontecimentos desta semana provocarão uma retirada em massa desse apoio.

Em seu comunicado, Infantino reiterou que a proposta tinha como objetivo fortalecer as associações-membro, “especialmente nos países onde o apoio é mais necessário”.

Ele acrescentou: “Nosso propósito sempre foi — e sempre será — unir e melhorar”.

No entanto, a proposta evidenciou divisões dentro da própria Fifa.

Carlos Cordeiro, que representava a entidade na força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo de 2026, tornou-se o primeiro dirigente de alto escalão da Fifa a renunciar em razão do projeto.

Em um longo comunicado, Cordeiro afirmou que se opunha “de forma inequívoca” ao plano e disse não aceitar a ideia de que a Fifa precisasse de investidores externos para “desbloquear maior valor”. Ele também afirmou que não participou da elaboração da proposta.

Segundo fontes, Infantino teria mantido até mesmo alguns dos oito vice-presidentes da Fifa sem conhecimento do plano, que, segundo estimativas, poderia levantar US$ 10 bilhões (cerca de R$ 50 bilhões).

O diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, classificou a iniciativa como “o projeto de uma única pessoa” e afirmou que “um presidente deve reunir as pessoas, uni-las e inspirá-las”, mas que aquele projeto representava “o oposto”.

“Se isso significar que vou perder meu emprego, que assim seja”, acrescentou. “Vou entender e respeitar essa decisão. Pelo menos dormirei tranquilo esta noite.”

 

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