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Tutóia, no Maranhão, marca transição entre dunas dos Lençóis e o delta do Parnaíba

  • Cidadezinha com ar rural se estrutura para atrair parte do fluxo recorde de visitantes da região

  • Passeios de buggy e de barco levam a banhos em paisagens remotas e paradisíacas

Tutóia (MA)

Vista dos coqueirais em Tutóia que mostra ainda algumas lagoas e dunas

Gabriel Justo

Com os Lençóis Maranhenses batendo recordes de visitantes, outras cidades da região têm se organizado para atrair uma parte desse fluxo. Uma delas é Tutoia, que fica entre Barreirinhas (70 km) e Parnaíba (150 km), no Piauí. Por muito tempo a cidade viveu da pesca artesanal e da agricultura familiar. Em 2005, passou a integrar a então recém-lançada Rota das Emoções.

Com 55 mil habitantes, Tutoia é o último centro urbano do litoral leste maranhense, ocupando uma quase península na porção mais a oeste do delta do Parnaíba. Tem ares de cidadezinha rural, com algumas ruas asfaltadas e iluminadas, e outras ainda de terra e sem luz. Justamente por essa localização, as praias ali da cidade mesmo parecem oceânicas, mas ainda são de água salobra e faixa de areia enlameada, quase como um mangue.

São os passeios, portanto, que proporcionam os banhos que os turistas tanto buscam. O primeiro deles é terrestre (R$ 450 para até quatro pessoas com a Dunatur), e explora os 15 km que separam a cidade dos Pequenos Lençóis, uma formação semelhante aos Lençóis Maranhenses, mas menor.

Outra característica particular dessa versão menor dos Lençóis é que ele é repleto de alguns coqueiros. Eles foram plantados há muitos anos por nativos, que também moravam por ali. Mas a ação dos ventos alísios é implacável, e a areia avançou sobre tudo. Acabou cobrindo as habitações por completo, mas não os coqueiros, que hoje caracterizam a paisagem daqueles lençóis —os originais maranhenses, e mesmo os Pequenos Lençóis de Paulino Neves, mais perto de Barreirinhas, não têm esse tipo de vegetação.

Mesmo em menor escala e com uma coloração mais esverdeada, as lagoas dali proporcionam um banho bastante agradável. Mas como a área não é protegida por restrições ambientais, nos dias de mais movimento há um trânsito incômodo de motos e UTVs que rasgam as dunas sem piedade —marcando-as com seus pneus e trazendo uma poluição sonora que não condiz com a aura paradisíaca do lugar. O turismo local diz que trabalha na conscientização e no ordenamento do fluxo.

Esse passeio também inclui uma parada para banho na praia do Amor, vizinha aos Pequenos Lençóis. É uma praia gigantesca, deserta, e com muitas ondas. Sob o sol forte, dunas e nuvens borram os limites do horizonte, dando ao visitante uma sensação ímpar de estar mergulhado na imensidão de uma natureza ainda bruta.

O trajeto atravessa ainda uma área conhecida como Arpoador, onde bangalôs de madeira e palha coexistem sem muitas cercas, com vacas, porcos e cabritos. É a área preferida dos praticantes de kitesurfe, que encontram ali condições semelhantes às do litoral cearense (lagunas rasas na praia, com o vento batendo na transversal), mas sem muvuca.

Mesmo sem ser do kite, vale pernoitar uma ou duas noites por ali para experimentar a sensação de estar em um lugar quase totalmente isolado —afinal, até a cidade, são pelo menos 15 km de areia.

O outro passeio popular em Tutoia explora o leste da cidade (R$ 150 por pessoa com a Olliver Tur), onde está o delta do Parnaíba —que ali às vezes é chamado de delta das Américas, um nome mais apropriado, já que Parnaíba (tanto o rio quanto a cidade) ficam no Piauí, e não no Maranhão. O mais comum, no entanto, é que a formação leve o nome do seu rio.

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