
Jogar a borra de café na pia faz parte da rotina de muitas pessoas. Nas redes sociais, não faltam dicas afirmando que o resíduo pode ajudar na limpeza do encanamento. Antes de seguir esse conselho, porém, vale entender como a borra se comporta e o que dizem especialistas sobre o assunto.
O que você precisa saber
O comportamento da borra ajuda a explicar por que especialistas fazem esse alerta. Embora a literatura científica não tenha encontrado evidências de que a borra provoque entupimentos por si só, ela mostra que o resíduo permanece sólido após o preparo do café, não se dissolve na água e apresenta tendência à formação de aglomerados.

A borra de café não se dissolve na água. Um dos principais motivos para evitar o descarte da borra na pia está em sua composição. Estudos sobre o reaproveitamento desse resíduo mostram que ele é rico em celulose, hemicelulose, lignina e outras fibras insolúveis, permanecendo sólido mesmo após o preparo da bebida.
Em estudo de 2011, liderado por Simone I. Mussatto demonstra justamente essa composição. Ele explica por que a borra é amplamente estudada para aplicações como produção de biocombustíveis, carvão ativado, fertilizantes e bioplásticos. Se o material se dissolvesse facilmente, essas aplicações sequer seriam possíveis, dizem os pesquisadores.
Outro estudo, de 2023, ajuda a compreender o comportamento da borra. Pesquisadores da University of Oregon publicaram, em 2023, um trabalho sobre a eletricidade estática gerada durante a moagem do café.
Análise mostrou que as partículas adquirem elevada carga eletrostática, favorecendo a formação de aglomerados (“clumping”), além da aderência entre elas. A pesquisa foi desenvolvida para entender a preparação do café espresso, e não o funcionamento de tubulações. Ainda assim, ela demonstra uma característica importante do material: as partículas tendem a permanecer agrupadas, em vez de se dispersarem facilmente na água.
Então, é melhor evitar?
O consenso entre profissionais de manutenção hidráulica é que sim. A recomendação é descartar a borra no lixo orgânico ou utilizá-la na compostagem, já que o material é rico em nitrogênio e pode enriquecer o composto quando usado corretamente.













