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Após queda de 43% da população, um dos peixes mais consumidos do Brasil entra em lista de extinção e pode ter a pesca proibida até outubro

O tambaqui é o segundo maior peixe de escamas do Brasil, podendo ultrapassar 1 metro de comprimento / Wikimedia Commons

A Amazônia brasileira perdeu, nas últimas décadas, uma de suas espécies mais emblemáticas para a ameaça de extinção. O tambaqui (Colossoma macropomum), amplamente consumido na região Norte e conhecido também como pacu e gamitana, integra agora a lista de aniamis ameaçados do país.

A publicação, feita em 27 de abril pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA), acendeu um alerta para a conservação da espécie. E, também, para as comunidades que dependem dela.

De acordo com Braulio Ferreira de Souza Dias, diretor do departamento de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do MMA, a inclusão na lista, por si só, não proíbe imediatamente a pesca do tambaqui. No entanto, ela exige a aprovação de um plano de recuperação populacional, que deve ser proposto por especialistas sob a coordenação do ministério.

Para isso, a Portaria nº 1.666 estabeleceu um prazo de 180 dias, ou seja, até 25 de outubro. Caso o plano não seja apresentado e aprovado até lá, a pesca do tambaqui poderá ser proibida em todo o território nacional a partir do final de outubro.

Classificação como “Vulnerável” e declínio populacional

Estudos apontam que escassez do tambaqui varia ao longo do território e especialistas cobram regras regionais em vez de uma restrição geral para toda a bacia hidrográfica

O tambaqui, como se sabe, sofre uma forte pressão da pesca em seu habitat natural há várias décadas. Segundo o Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), gerenciado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a espécie está classificada como “Vulnerável”.

Essa classificação, por sua vez, baseia-se em projeções que indicam um declínio populacional de 43,4% ao longo de três gerações.

O ICMBio, órgão responsável pelas unidades de conservação no Brasil, também destaca que o tambaqui ocorre naturalmente nos estados do Acre, Rondônia, Amazonas e Pará. Distribuindo-se pelas planícies aluviais do rio Amazonas e pela maioria de seus principais afluentes.

Além disso, a espécie tem se espalhado por toda a América do Sul por meio da aquicultura. Embora o cultivo em larga escala tenha compensado parcialmente a queda das populações selvagens nos últimos 20 anos, os pesquisadores não conseguem quantificar com precisão o impacto real da aquicultura na redução do animal.

Pescadores e pesquisadores contestam a medida

Diante do cenário de restrição iminente, pescadores e pesquisadores uniram forças e solicitaram ao Ministério, a reversão da inclusão do tambaqui na lista de espécies ameaçadas. Ou, ao menos, a flexibilização da medida em determinadas situações.

Igor Hister Lourenço, analista de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Mamirauá para o Desenvolvimento Sustentável, uma organização social promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, explica que a realidade da espécie varia muito ao longo da bacia amazônica.

Falta de dados em comunidades tradicionais

A avaliação de risco realizada pelo ICMBio, por sua vez, revelou uma lacuna importante. Os únicos dados disponíveis sobre desembarques de pesca correspondem a áreas não protegidas, que representam 61% da extensão da distribuição das populações naturais de tambaqui.

No entanto, não há dados formais de unidades de conservação e territórios indígenas. Que juntos representam 39% da área e que, provavelmente, estariam em baixo risco de extinção.

A comunidade de São Raimundo do Jarauá, por exemplo, está localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Uma área protegida que permite o manejo sustentável dos recursos naturais pelas comunidades tradicionais.

 

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